sábado, janeiro 26

Sobre tempo..

Já estamos em 2008 e eu fico me perguntando se o tempo sempre passou assim rápido e eu nunca me dei conta ou se eu tenho razão em achar que ele está enlouquecendo.
Ele ou nós estamos?
Se não cedemos o que não possuímos, ou os pensamentos andam muito falhos ou é mesmo a inversão dos paradoxos...
É, esse tempo anda realmente passando rápido.
E tão veloz que a própria situação efêmera escapou das mãos.
Não sei, estou indo rápido demais.
Teus pronomes pessoais me confundem demais.
Olha que já estou achando que sou eu; e volto no tempo pra tentar entender.
E ficar na concordância do que dissestes para não ir longe demais.
E tempo, tempo, tempo...Tempo é detalhe. Ou melhor, só é curto pela dificuldade vazia que a gente ocupa nele.
E tenho dito!

domingo, janeiro 6

Sobre filmes

Tem certos filmes que eu não consigo ver uma vez só, tenho que apertar o botão do repeat. São aqueles filmes que parecem feitos pra mim, escritos com o intuito de mostrar os meus sentimentos e os meus dias, além de deixar a minha alma feliz e serena. Hoje o filme é “Reine sobre mim”. Existem muitos outros filmes-repeat, é claro. O que todas eles têm em comum é o poder imediato de satisfação. Aquele brilho nos olhos que só se costuma ver em adolescentes apaixonados, aquele sorriso bobo na cara até nos dias mais feios e tristes… É como um vício, mas um vício que só faz bem. Porque ver uma vez simplesmente não é o suficiente. E overdose de bons filmes não mata ninguém.

sexta-feira, janeiro 4

Sobre aleatoridades de uma quinta-feira cinza.

Sim, viver nessa agonia torna meu dia cinza, a espera de março quando minha alma gêmea voltará. Ainda bem que tem bastante café aqui, né desgraça?

- Gostaria do telefone se soubesse que você poderia estar ligando. Mas como sei que não é você, tenho vontade de o atirar na parede. Juro que um dia ainda faço isso - sonho de consumo.
Pois é, eu não costumo sonhar alto. Por isso que discordo muito com a minha mãe, ela vive dizendo que eu sou uma eterna insatisfeita. Mas pensando bem, quando é inverno quero verão e quando é verão, quero inverno. Acho que não era esse o ponto que ela queria chegar. E nem eu, pra falar a verdade.
-
- LEVANTA, GISELLE. EU JA TE CHAMEI HÁ MEIA HORA, GISELLE. EU JA TE CHAMEI ANTES E AGORA JÁ SÃO QUESE 7H!!
- Ta pai, desculpa.
- NÃO TEM CULPA? EU JA TE CHAMEI ANTES, TENS CULPA, SIM!
...
- Manhê, a água tá fervendo.
- Mas pq tu não secou a louça? E o lixeiro? Tu não levar hoje, Giselle? É sempre assim, tu nunca faz o que eu peço, blablabla... E o teu quarto? Quando tu vai arrumar aquela bagunça? Blablabla...
- Amanhã mãe, amanhã. Hoje é sábado.
...
- Já são 19h, agora tu não come mais nada, pq amanhã de manhã tu vais fazer exame de sangue e blablabla.
- E depois do exame eu vou vir pra casa,?
- Mas pq vir pra casa?
- Pq eu vou fazer exame de sangue. Além de ficar 12 horas sem comer e levar injeção ainda vou ter que ir trabalhar?
- Mas todo mundo faz exame de sangue, podes comer na padaria e ir trabalhar depois...
- Tá, podes vir pra casa!
- Não, agora eu não quero mais.
-
Desculpem-me, queridos companheiros de trabalho, pelos meus surtos. Queria saber me controlar, queria não berrar e queria não mandá-los calar a boca. Está no sangue, poxa vida. Porém, tentem entender: se as coisas fossem mais claras e simples, eu conseguiria. Torçam por mim, é pro bem de todos vocês.
(De manhã, definitivamente, eu não existo.)
-
Ei, não me olha com esa cara de desdém, nem me conheces. Liga-te, idiota! E pra você ai, de pé, o que estou lendo não é da sua conta, ta ouvindo?
Tsc tsc.
-
Alô, tira-me essa ânsia. Dê-me uma bolsa de água quente, uma massagem e uma passagem pra bem longe. De prefrencia lá para Fort Lauderdale junto com ele. Tira-me essa sentimentalidade, essa vontade, essa dor de SAUDADES e - principalmente - essa capacidade de ser dramática. SIM. ESSA SOU EU. E eu serei eternamente grata.
Entra, pode entrar. Tira-me o que quiseres, menos a roupa.
Acalante-me.
Dê ordem e precisão à esses pensamentos vagos e mal distribuídas.
Não demores. Ou melhor, venha quando achares melhor, da tua forma sempre foi bom o suficiente.
-
"Meu amor, minha flor, minha menina, solidão não cura com aspirina, tanto que eu queria o teu amooor. Vem me trazer calor, fervor, fervura, me vestir do terno da ternura. Sexo também é bom negócio, o melhor da vida é isso e ócio, isso e óóóóciiiiooo... Minha cara, minha Carolina, a saudade ainda vai bater no teto. Até um canalha precisa de afeto, dor não cura com penicilina. Meu amor, minha flor, minha meniiiina, tanto que eu queria o teu amoooor. Tanto amor em mim como um quebranto, tanto amor em mim e em ti nem taaaanto."
Não sai da cabeça, não sai, não sai, não sai.
-


Expressão do dia: ô cacete!
Prefiro sexta-feiras, e tenho dito.

terça-feira, dezembro 25

Reine Sobre Mim


Há coisas na vida que mudam a gente. Um filme pode mudar minha maneira de pensar e ver a vida. Às vezes acontece. “Reine Sobre Mim” é um deles, trata de forma poética o limite entre a dor e o amor. Sem apelar para clichês, ainda mostra histórias que expressam angústias da sociedade moderna, todas representadas por algum tipo de perda.
Enfim, qualquer descrição maior do filme será incapaz de transmitir a beleza da poesia nele contida. Emocionante na medida exata. Vale muito a pena assistir. Eu recomendo.
... E acredito verdadeiramente nisso: boas músicas, bons filmes, boas exposições de arte é que mudam a vida. Isso e amor, mais amor, claro, e todo tipo de amor.
Quase todo o restante das coisas, obrigações, inclusive, não passam de mero detalhe na minha lista de afazeres e prioridades. Eu ainda acho que deveria voar mais. E brindo à subjetividade, à transcendência, à loucura, à leveza e ao desregramento.

domingo, dezembro 23

Ela

E quando ela viu aquelas pessoas dependentes, ela sentiu alguma coisa diferente. Logo entendeu tudo. Percebeu que ela mesma se sentia, se acreditava. Ela era dela, de mais ninguém. Nem do amigo do amigo, nem das lembranças, nem do silêncio. Mergulhava em si mesma, como se todas as coisas existentes fossem pobres demais para serem apreciadas ou vividas. Tomava café e cantava da forma mais desafinada e feia do universo, mas só ela ouvia: 'e o passado é uma rouuuupa que não nos serve maaaais'.E como mulher, como humana, como menina que ainda era (e muito), se cantava e se engolia, como se fosse rara e única. Dedicava tudo a ela mesma. Não lhe importa mais os outros. Porque eles não se importam com ela. É claro que ela errava. E sabia disso. Mas o erro era dela, pra ela, era nela. Então nada mais importava. Aquele que a decepcionou. Aquele que a trocou por palavras, já não cabe mais na sua lista de pessoas importantes. Percebeu que se bastava. Não precisava de mais ninguém. Fazia-se feliz. Era como se ela vivesse dentro de um livro e fazia da vida o que quisesse, sem ninguém por perto. Sozinha ela se bastava. E não há dor dentro de si. Sozinha era feliz. Porque não nasceu grudada em ninguém e isso basta pra ela se fazer feliz. Sozinha. Mas na verdade, ela nunca estava sozinha, ela tinha ELA e também um mundo, tinha infinitas possibilidades de nunca estar sozinha. O sozinha era em dias cinzas.

terça-feira, dezembro 11

E é assim que começo a escrever hoje: em ritmo de Lily Allen. Ritmo de boniteza, de intensidade e coisa boa. E o que escrevo é somente pra te dizer que eu te quero, mas de um modo diferente. É bem verdade que te quero muito, mas esse muito eu quero aos poucos. É isso: muito em doses constantes de pouco. Para não correr o risco de te perder mais tarde. Quero-te da maneira mais errada, mas ao mesmo tempo mais sincera. A mesma maneira que outrora deu certo. Aquela maneira muito minha, de alguém dependente (sou dependente e eu não me orgulho, mas fugir disso já não adianta): te quero pra que meus risos não sejam todos forçados, pra que eu possa correr, gritar e dançar de forma mais viva e pra eu me descobrir ao te desvendar. Eu quero loucurinhas, quero sentir saudades, quero por que sinto que na minha memória ainda existe espaço pra guardar momentos bons, te quero agora e pra sempre.Te quero de qualquer jeito e isso é tudo, por hoje.