E quando ela viu aquelas pessoas dependentes, ela sentiu alguma coisa diferente. Logo entendeu tudo. Percebeu que ela mesma se sentia, se acreditava. Ela era dela, de mais ninguém. Nem do amigo do amigo, nem das lembranças, nem do silêncio. Mergulhava em si mesma, como se todas as coisas existentes fossem pobres demais para serem apreciadas ou vividas. Tomava café e cantava da forma mais desafinada e feia do universo, mas só ela ouvia: 'e o passado é uma rouuuupa que não nos serve maaaais'.E como mulher, como humana, como menina que ainda era (e muito), se cantava e se engolia, como se fosse rara e única. Dedicava tudo a ela mesma. Não lhe importa mais os outros. Porque eles não se importam com ela. É claro que ela errava. E sabia disso. Mas o erro era dela, pra ela, era nela. Então nada mais importava. Aquele que a decepcionou. Aquele que a trocou por palavras, já não cabe mais na sua lista de pessoas importantes. Percebeu que se bastava. Não precisava de mais ninguém. Fazia-se feliz. Era como se ela vivesse dentro de um livro e fazia da vida o que quisesse, sem ninguém por perto. Sozinha ela se bastava. E não há dor dentro de si. Sozinha era feliz. Porque não nasceu grudada em ninguém e isso basta pra ela se fazer feliz. Sozinha. Mas na verdade, ela nunca estava sozinha, ela tinha ELA e também um mundo, tinha infinitas possibilidades de nunca estar sozinha. O sozinha era em dias cinzas.
domingo, dezembro 23
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