sexta-feira, janeiro 4

Sobre aleatoridades de uma quinta-feira cinza.

Sim, viver nessa agonia torna meu dia cinza, a espera de março quando minha alma gêmea voltará. Ainda bem que tem bastante café aqui, né desgraça?

- Gostaria do telefone se soubesse que você poderia estar ligando. Mas como sei que não é você, tenho vontade de o atirar na parede. Juro que um dia ainda faço isso - sonho de consumo.
Pois é, eu não costumo sonhar alto. Por isso que discordo muito com a minha mãe, ela vive dizendo que eu sou uma eterna insatisfeita. Mas pensando bem, quando é inverno quero verão e quando é verão, quero inverno. Acho que não era esse o ponto que ela queria chegar. E nem eu, pra falar a verdade.
-
- LEVANTA, GISELLE. EU JA TE CHAMEI HÁ MEIA HORA, GISELLE. EU JA TE CHAMEI ANTES E AGORA JÁ SÃO QUESE 7H!!
- Ta pai, desculpa.
- NÃO TEM CULPA? EU JA TE CHAMEI ANTES, TENS CULPA, SIM!
...
- Manhê, a água tá fervendo.
- Mas pq tu não secou a louça? E o lixeiro? Tu não levar hoje, Giselle? É sempre assim, tu nunca faz o que eu peço, blablabla... E o teu quarto? Quando tu vai arrumar aquela bagunça? Blablabla...
- Amanhã mãe, amanhã. Hoje é sábado.
...
- Já são 19h, agora tu não come mais nada, pq amanhã de manhã tu vais fazer exame de sangue e blablabla.
- E depois do exame eu vou vir pra casa,?
- Mas pq vir pra casa?
- Pq eu vou fazer exame de sangue. Além de ficar 12 horas sem comer e levar injeção ainda vou ter que ir trabalhar?
- Mas todo mundo faz exame de sangue, podes comer na padaria e ir trabalhar depois...
- Tá, podes vir pra casa!
- Não, agora eu não quero mais.
-
Desculpem-me, queridos companheiros de trabalho, pelos meus surtos. Queria saber me controlar, queria não berrar e queria não mandá-los calar a boca. Está no sangue, poxa vida. Porém, tentem entender: se as coisas fossem mais claras e simples, eu conseguiria. Torçam por mim, é pro bem de todos vocês.
(De manhã, definitivamente, eu não existo.)
-
Ei, não me olha com esa cara de desdém, nem me conheces. Liga-te, idiota! E pra você ai, de pé, o que estou lendo não é da sua conta, ta ouvindo?
Tsc tsc.
-
Alô, tira-me essa ânsia. Dê-me uma bolsa de água quente, uma massagem e uma passagem pra bem longe. De prefrencia lá para Fort Lauderdale junto com ele. Tira-me essa sentimentalidade, essa vontade, essa dor de SAUDADES e - principalmente - essa capacidade de ser dramática. SIM. ESSA SOU EU. E eu serei eternamente grata.
Entra, pode entrar. Tira-me o que quiseres, menos a roupa.
Acalante-me.
Dê ordem e precisão à esses pensamentos vagos e mal distribuídas.
Não demores. Ou melhor, venha quando achares melhor, da tua forma sempre foi bom o suficiente.
-
"Meu amor, minha flor, minha menina, solidão não cura com aspirina, tanto que eu queria o teu amooor. Vem me trazer calor, fervor, fervura, me vestir do terno da ternura. Sexo também é bom negócio, o melhor da vida é isso e ócio, isso e óóóóciiiiooo... Minha cara, minha Carolina, a saudade ainda vai bater no teto. Até um canalha precisa de afeto, dor não cura com penicilina. Meu amor, minha flor, minha meniiiina, tanto que eu queria o teu amoooor. Tanto amor em mim como um quebranto, tanto amor em mim e em ti nem taaaanto."
Não sai da cabeça, não sai, não sai, não sai.
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Expressão do dia: ô cacete!
Prefiro sexta-feiras, e tenho dito.

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