terça-feira, dezembro 25

Reine Sobre Mim


Há coisas na vida que mudam a gente. Um filme pode mudar minha maneira de pensar e ver a vida. Às vezes acontece. “Reine Sobre Mim” é um deles, trata de forma poética o limite entre a dor e o amor. Sem apelar para clichês, ainda mostra histórias que expressam angústias da sociedade moderna, todas representadas por algum tipo de perda.
Enfim, qualquer descrição maior do filme será incapaz de transmitir a beleza da poesia nele contida. Emocionante na medida exata. Vale muito a pena assistir. Eu recomendo.
... E acredito verdadeiramente nisso: boas músicas, bons filmes, boas exposições de arte é que mudam a vida. Isso e amor, mais amor, claro, e todo tipo de amor.
Quase todo o restante das coisas, obrigações, inclusive, não passam de mero detalhe na minha lista de afazeres e prioridades. Eu ainda acho que deveria voar mais. E brindo à subjetividade, à transcendência, à loucura, à leveza e ao desregramento.

domingo, dezembro 23

Ela

E quando ela viu aquelas pessoas dependentes, ela sentiu alguma coisa diferente. Logo entendeu tudo. Percebeu que ela mesma se sentia, se acreditava. Ela era dela, de mais ninguém. Nem do amigo do amigo, nem das lembranças, nem do silêncio. Mergulhava em si mesma, como se todas as coisas existentes fossem pobres demais para serem apreciadas ou vividas. Tomava café e cantava da forma mais desafinada e feia do universo, mas só ela ouvia: 'e o passado é uma rouuuupa que não nos serve maaaais'.E como mulher, como humana, como menina que ainda era (e muito), se cantava e se engolia, como se fosse rara e única. Dedicava tudo a ela mesma. Não lhe importa mais os outros. Porque eles não se importam com ela. É claro que ela errava. E sabia disso. Mas o erro era dela, pra ela, era nela. Então nada mais importava. Aquele que a decepcionou. Aquele que a trocou por palavras, já não cabe mais na sua lista de pessoas importantes. Percebeu que se bastava. Não precisava de mais ninguém. Fazia-se feliz. Era como se ela vivesse dentro de um livro e fazia da vida o que quisesse, sem ninguém por perto. Sozinha ela se bastava. E não há dor dentro de si. Sozinha era feliz. Porque não nasceu grudada em ninguém e isso basta pra ela se fazer feliz. Sozinha. Mas na verdade, ela nunca estava sozinha, ela tinha ELA e também um mundo, tinha infinitas possibilidades de nunca estar sozinha. O sozinha era em dias cinzas.

terça-feira, dezembro 11

E é assim que começo a escrever hoje: em ritmo de Lily Allen. Ritmo de boniteza, de intensidade e coisa boa. E o que escrevo é somente pra te dizer que eu te quero, mas de um modo diferente. É bem verdade que te quero muito, mas esse muito eu quero aos poucos. É isso: muito em doses constantes de pouco. Para não correr o risco de te perder mais tarde. Quero-te da maneira mais errada, mas ao mesmo tempo mais sincera. A mesma maneira que outrora deu certo. Aquela maneira muito minha, de alguém dependente (sou dependente e eu não me orgulho, mas fugir disso já não adianta): te quero pra que meus risos não sejam todos forçados, pra que eu possa correr, gritar e dançar de forma mais viva e pra eu me descobrir ao te desvendar. Eu quero loucurinhas, quero sentir saudades, quero por que sinto que na minha memória ainda existe espaço pra guardar momentos bons, te quero agora e pra sempre.Te quero de qualquer jeito e isso é tudo, por hoje.