sexta-feira, agosto 31

Dia comum

Acordei quando minha mãe me chamou pela primeira vez. O cheirinho do café batia a porta do meu quarto mesmo antes do meu relógio despertar. O leite esquentou rapidamente, os sapatos mais aconchegantes foram postos, o pão da padaria estava uma delícia.

O livro foi lido durante a "viagem" de ida ao trabalho. Ta certo que as pessoas estavam um tanto quanto grosseiras e nem conversaram comigo, mas isso foi compensado pelo fato de eu ter conseguido sair para almoçar às 11h50min.
No almoço em um restaurante as pessoas todas foram simpáticas comigo e é claro que eu fui cordialmente simpática com elas também.

Na volta ao trabalho, a incansável escravidão era nítida no meu rosto. Ta certo que eu estava um tanto quanto irritada por estar com TPM, mas isso foi compensado pelo fato de eu ter recebido um elogio do meu chefe.

Na rua as pessoas andavam pra lá e pra cá e misteriosamente não esbarravam em mim. Ta certo que no ônibus a história foi outra, afinal eram 6h da tarde. Os rostos todos diferentes, os cheiros de perfumes e “CC” se misturavam.
Mas isso foi compensado pelo fato de que encontrei meu irmão no caminho e desci do ônibus pra pegar uma caroninha.

Cheguei no horário certo da faculdade e acertei a maioria das respostas da prova. Ta certo que eu esqueci de pagar a mensalidade, mas isso foi compensado pelo fato de eu ter comprado um livro aparentemente bom no sebo.

Saí mais cedo da faculdade e ao chegar a minha casa fui recebida pelas cachorras calorosamente, como de costume. As melhores músicas foram escutadas e um banho quentinho tirou toda a oleosidade do meu cabelo “clarocomogemadeovo”. No orkut, deixei um recado pra uma amiga distante que foi escrito com todo o coração e obtive uma resposta adorável.

Mais tarde uma surpresa: café e nega maluca. Pra que melhor? Minha mãe até disse que ia fazer o ovo na conserva que eu tanto gosto (que é uma delícia, acreditem).

Atendo ao telefone na primeira vez que ele toca.

Mas tudo continua normal demais e eu continuo estável. Ou melhor: estagnada. Estagnada no mundo das cobertas que tentam substituir a falta que um mimo me faz. E esse é mais um dia comum. Dia esse que me faz perceber que eu não fui feita para esse tempo de ausências em mim.