quarta-feira, maio 30

Tempo, velho amigo.


Em um dia eu acordo e todas as minhas coisas estão espalhadas pelo chão. Meu quarto está bagunçado. Meu cabelo embaraçado. Minha unha descascando. Tudo aquilo me confundi. É hora de mudar. Este meu “sorriso amarelo” já não engana mais ninguém.
E ao olhar pela janela, percebo que as coisas não são mais as mesmas que nove anos atrás, quando eu ainda jogava taco, quando eu ainda roubava goiabas da vizinha,quando eu ainda pulava com meu Pogobol, quando eu ainda jogava Varetas e eu ainda tinha a inocência de uma criança. Minha única preocupação era que as férias chegassem logo para que eu pudesse todo dia brincar e assistir desenhos animados comendo bolacha Trakinas. Meu grande sonho: ser Patinadora de gelo. Encantava-me com as coreografias, os colãs brilhantes, a suavidade de cada deslize no gelo. Mas tudo não passava de ilusões de uma mente sem noção do que é a vida real. E assim a vida se desfaz em muitas mentiras mal ditas, verdades não revelas noites mal dormidas, decepções e perdas.
Hoje percebo que meu sonho está mais enterrado do que um corpo coberto de terra. Não tenho mais tempo de pensar no passado. Mas ainda penso nas coisas que deixei de fazer, e choro. Arrependo-me por nunca ter tentado, e choro.
Eu continuarei, porque no final o que vale a pena são as grandes conquistas, os amores inesquecíveis, as amizades verdadeiras e a saudade de lembrar de uma época que não volta mais.

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